Alessandra Zonari Scheel é uma cientista brasileira e cofundadora da OneSkin, onde trabalha com Carolina Reis Oliveira. A abordagem da empresa parte de algo que a maior parte da indústria da beleza evita: cultivar pele humana de verdade em laboratório, e depois medir se um produto faz alguma diferença nela.
Essa diferença importa. Os cremes antienvelhecimento convencionais atuam, em grande parte, na aparência do envelhecimento — suavizando rugas, tratando os efeitos. A OneSkin se propôs a perguntar se a própria pele poderia ficar mensuravelmente mais jovem, e a testar essa afirmação em tecido real, e não no jeito como um rosto sai na foto.
Durante a nossa visita, coletaram uma amostra da pele de Marek — retirada com fita adesiva, sem corte — para determinar a idade da pele dele, com o plano de medir de novo depois de vários meses usando o produto. Um antes e depois no próprio corpo, que é exatamente o tipo de coisa para a qual esta busca existia.
Mas o momento da entrevista dela que ficou comigo é pessoal, não técnico. Ela cresceu esperando herdar as doenças da família: avós que morreram cedo de doença cardiovascular e câncer, uma avó com Alzheimer. Achava que o mesmo viria para ela porque era genético. Descobrir que a forma como envelhecemos, em sua maior parte, não é decidida pela genética é o que ela chama de divisor de águas.
Ela e Carolina se mudaram de São Francisco para Sausalito, e as duas descrevem a mudança como uma intervenção de longevidade em si — não pelo ar, mas pelas pessoas. Na cidade, elas nunca conheceram os vizinhos. Aqui existe um grupo de WhatsApp para jogar vôlei nas tardes de domingo. A manhã dela é uma corrida ao nascer do sol, com São Francisco ao fundo, e, uma vez por semana, um nado na baía.
A ciência por trás disso é o que elas nos mostraram no laboratório alguns dias antes. A OneSkin analisou mais de novecentos peptídeos em busca de um que reduzisse a inflamação e impedisse o acúmulo de células senescentes na pele — a molécula que hoje chamam de OS-01. Testam do jeito difícil: em pele cultivada no próprio laboratório a partir de células de idades diferentes, e em pele humana viva que sobrou de cirurgias plásticas, mantida viva por cinco dias. Medida assim, a pele tratada volta cerca de dois anos e meio mais jovem. Também estão trabalhando para ler a idade biológica da pele sem biópsia — uma tira de fita adesiva no lugar de um corte.

Tínhamos conhecido as duas alguns dias antes, no laboratório, onde coletaram uma amostra da pele de Marek para medir a idade dela. Esta conversa aconteceu depois, ao ar livre — nós quatro sentados na grama acima da baía, depois de passar a manhã na água. É uma das entrevistas mais descontraídas da busca, e uma das poucas em que a ciência dá lugar quase por completo ao jeito como duas cientistas realmente vivem.
“A forma como envelhecemos não é condicionada pela nossa genética. A genética é só uma pequena parte disso.”
— Alessandra Zonari Scheel, Sausalito“Eu pensava: não quero envelhecer, vou ter essas doenças porque é genético — todos os meus avós tiveram, então eu vou ter.”
Alessandra Zonari Scheel · SausalitoComeçar o dia com exercício é, para mim, a coisa número um para a longevidade.
Alessandra Zonari ScheelEu adoro ficar perto da água. Uma das minhas manhãs favoritas é quando eu nado logo cedo.
Alessandra Zonari ScheelMeu maior medo era ficar muito doente e não aproveitar a vida — não conseguir me mexer, falar, continuar aprendendo.
Alessandra Zonari ScheelQuando a gente morava num apartamento em São Francisco, nunca conheceu nenhum dos vizinhos. Aqui temos muito mais amigos.
Alessandra Zonari ScheelÉ sempre mais fácil prevenir do que reparar.
Alessandra Zonari Scheel · no laboratórioA pele é o nosso maior órgão e vai estar com a gente a vida inteira.
Alessandra Zonari Scheel · no laboratórioDa nossa conversa em Sausalito — do que ela tinha medo, o que a fez mudar de ideia e por que sair da cidade conta como ciência.
Não exatamente da morte — da perda de tudo o que faz a vida valer os anos. Movimento, cognição, conversa, continuar aprendendo. Ela cita exatamente essas coisas, e são as mesmas que os avós dela perderam.
“Ficar muito doente e não aproveitar a vida.”
Sausalito · da entrevistaEla achava que o histórico da família era o seu destino. Descobrir que a genética responde por só uma pequena parte de como envelhecemos foi o que a tirou do medo e a trouxe para essa área — e é a coisa mais útil desta página para quem pensa do mesmo jeito.
“Isso, para mim, foi um divisor de águas depois que eu entrei nessa área da longevidade.”
Sausalito · da entrevistaAs duas descrevem a mudança para Sausalito como uma decisão de saúde. Mais perto da natureza, mais esporte e, acima de tudo, uma comunidade em que as pessoas realmente se conhecem — o que, segundo elas, melhorou a saúde mental das duas de forma mensurável.
“Esse ambiente de comunidade afeta muito a nossa saúde mental, e ela ficou muito melhor quando a gente se mudou para cá.”
Sausalito · da entrevistaA entrevista em vídeo está chegando. As entrevistas gravadas vão ao ar depois do lançamento do filme & da série Live Beyond.
Trechos selecionados de duas conversas com Alessandra Zonari Scheel e Carolina Reis Oliveira — na grama acima da baía, em Sausalito, e no laboratório da OneSkin, alguns dias antes. As duas foram entrevistadas juntas nas duas vezes. Só as hesitações foram retiradas; nada dentro de uma citação foi reescrito.
Carolina Reis Oliveira“A gente morava na cidade antes de se mudar para cá, e a nossa qualidade de vida mudou demais. Estamos muito mais perto da natureza, dá para praticar muito mais esportes — e até em termos de comunidade, a gente conheceu muito mais gente e tem muito mais amigos. É um clima de cidade pequena.”
Alessandra Zonari Scheel“Tem um grupo que vem jogar vôlei, e eles simplesmente criam um grupo de WhatsApp e falam quem está disponível domingo, às 2 da tarde. E todo mundo vem. Quando a gente morava em São Francisco, era num apartamento, e a gente nunca conheceu nenhum dos vizinhos. Aqui temos muito mais amigos — e esse ambiente de comunidade afeta muito a nossa saúde mental. Ficou muito melhor quando a gente se mudou para cá.”
Alessandra Zonari Scheel“Eu acordo e a minha coisa favorita é sair para correr, bem cedo, ao nascer do sol. Se você sobe correndo esta rua até o fim, pega o nascer do sol com São Francisco na paisagem. Começar o dia com exercício é, para mim, a coisa número um para a longevidade. E eu nado uma vez por semana, na baía ou na piscina. Eu adoro ficar perto da água — esse é outro motivo por que eu amo Sausalito.”
Alessandra Zonari Scheel“Na verdade, eu tinha muito medo de envelhecer. O principal era ter doenças que não me deixassem fazer as atividades de que eu gosto — principalmente conseguir me mexer, ter cognição para falar, continuar tendo boas conversas, continuar aprendendo. Meu maior medo era ficar muito doente e não aproveitar a vida.”
Alessandra Zonari Scheel“Uma coisa que, para mim, foi um divisor de águas, depois que eu entrei nessa área da longevidade, foi perceber que a forma como envelhecemos não é condicionada pela nossa genética — que a genética é só uma pequena parte disso. Quando eu era criança, nunca conheci meus avós por parte de pai, porque eles morreram cedo, de doença cardiovascular e câncer. Meu outro avô, câncer também. Minha avó ficou mais tempo com a gente, mas teve Alzheimer. E eu pensava: meu Deus, não quero envelhecer, vou ter alguma dessas doenças porque é genético. Todos os meus avós tiveram, então eu vou ter.”
Alessandra Zonari Scheel“Eu desejo que vocês consigam reunir toda essa informação e levar para a comunidade, para todo mundo. A gente meio que vive numa bolha — todo mundo à nossa volta já tem a mentalidade da longevidade. Mas nem todo mundo no mundo tem essa mentalidade. Ela pode mudar de verdade a forma como você leva a vida, ou como você se enxerga na sua vida. Então eu desejo que vocês peguem toda essa informação que estão recebendo — é um privilégio enorme poder conversar com todo mundo — transformem em pedacinhos e compartilhem mais.”
E do laboratório, alguns dias antes — onde cultivam pele humana, e onde coletaram a amostra da pele de Marek.
Alessandra Zonari Scheel“Nós começamos a empresa em 2016 com o objetivo de entender o envelhecimento da pele… O que logo percebemos foi que a maioria dos produtos que existem por aí não tem como alvo o envelhecimento. E uma das causas principais do envelhecimento da pele não é alvo de nenhuma outra molécula no mercado.”
Alessandra Zonari Scheel“A gente começa a envelhecer assim que nasce… Se você olha os dados sobre dano na pele na literatura, é depois dos 20 anos, principalmente depois dos 30… Então, quanto mais cedo você começa, mais você consegue prevenir e manter a sua pele… jovem por mais tempo. É sempre mais fácil prevenir do que reparar.”
Alessandra Zonari Scheel“O que a nossa pesquisa mostrou foi que, quando você trata a pele com o nosso peptídeo, a idade biológica da pele é revertida… Não é que eu consiga reverter 20 anos de idade, mas o que medimos foi 2,5 anos de reversão — e a gente continua envelhecendo.”
Alessandra Zonari Scheel“A pele é o nosso maior órgão e vai estar com a gente a vida inteira. E, claro, quanto mais você cuida dela, isso não influencia só os aspectos de beleza da sua pele, como você se sente, a sua aparência, o que é muito importante. Mas, por causa do tamanho dela, quando a função da pele começa a ficar comprometida, isso compromete o seu corpo por dentro também.”
Alessandra Zonari Scheel“Muitas vezes, quando a gente fala de beleza e de produtos de beleza… você precisa ter uma certa aparência, precisa parecer mais jovem… Se a sua pele está forte e saudável, você vai se sentir bem… Dá para abraçar o processo de envelhecimento com uma pele saudável e se sentir bem com isso… A gente quer acolher a sua autoexpressão, a forma como você quer envelhecer, e só garantir que a sua pele esteja funcionando da melhor forma para você.”
Alessandra Zonari Scheel“O melhor é que nunca é tarde para começar… Assim que você muda os seus hábitos… você vai começar a se sentir mais jovem, e alguns anos depois vai estar se sentindo mais jovem do que era antes.”
Mais trechos da entrevista completa vão ser publicados aqui.
Alessandra atua entre Melhorias de biohacking e Fundamentos da longevidade. Comece pela cofundadora dela, Carolina Reis Oliveira.
Explorar todos os 100+ especialistas