Sir Christopher Ball
Uma das 100+ mentes da busca

Sir Christopher
Ball

Educador · Cofundador do Oxford Longevity Project
Três fatores, três Hs e um plano que vai até os 111 · Oxford

Nível 1 · FundamentosFundamentos da longevidadePrimeiro a mentalidade, depois o exercício, depois a alimentação — e ele insiste que são só três.
A ponte · PrevençãoPrevençãoO paciente responsável — fazer o trabalho pela própria saúde antes de chamar o médico.
Níveis do Mapa da Longevidade que Sir Christopher explora
111
A idade para a qual ele está se planejando
3
Fatores, e ele insiste que são só três
3 Hs
Hábito, rebanho, prazer — o que atrapalha
Oxford
A pequena nova Zona Azul que ele quer criar
Quem é Sir Christopher Ball

A informação é fácil. Escolher é que é difícil.

Sir Christopher Ball é educador e um dos cofundadores do Oxford Longevity Project — o único dos fundadores sem formação médica, algo que ele mesmo faz questão de apontar, bem-humorado, logo na primeira frase. Ele estudou língua e literatura inglesa em Oxford e ensinou a matéria por alguns anos, foi diretor (Warden) do Keble College e o primeiro chanceler da University of Derby. Em algum momento no meio disso, ele deixou de ser professor de uma matéria e passou a ser um estudante de como os seres humanos aprendem, e trabalhou nessa questão em quarenta países.

É exatamente por isso que ele está neste filme. Todo o argumento dele sobre longevidade gira em torno da diferença entre saber e fazer. “A parte do conhecimento, a informação, é fácil. Aprender a escolher uma vida saudável é muito mais difícil.”

Ele tem uma regra: qualquer assunto complexo pode ser reduzido, num alto nível de simplificação, a três ideias, e ele aplica essa regra à longevidade saudável sem pedir desculpas. Primeiro, e mais importante: uma mentalidade saudável — uma visão positiva da vida, relações de amor. Segundo: exercício regular, e de um jeito simples para as pessoas; caminhe uma milha por dia. Terceiro: alimentação, e, por conselho das netas, uma alimentação quase vegana. Ele mesmo segue essa rotina e a prega sempre que pode.

Depois vem a outra metade, que é a verdadeira contribuição dele: por que tanta gente que sabe de tudo isso não faz nada disso. Ele chama os obstáculos de os três Hs. Hábito — “mas eu sempre fumei” — quando o hábito vence a sabedoria. Rebanho (herd) — nós nos adaptamos às pessoas que nos cercam, e se o rebanho vai ao pub toda sexta-feira, a informação sozinha não vai quebrar isso. E prazer (high) — o próximo pedaço de chocolate, o próximo prazer imediato, desde a infância.

O segundo argumento dele é aquele que ele sabe que as pessoas não gostam de ouvir, e ele o defende mesmo assim: tudo começa com a responsabilidade do indivíduo. Ele tenta ser o paciente responsável, fazendo a maior parte do trabalho pela própria saúde antes de chamar o médico. Amigos já disseram a ele que não está sendo muito gentil ao falar com tanta franqueza. A resposta dele é que prefere ter amigos que assumem a responsabilidade pela própria vida a ter amigos que precisam de compaixão por escolhas que fizeram sabendo que não deviam.

Ele também não tem melindres com o que está por vir. Quando perguntam do que as pessoas idosas têm medo, ele lista cinco coisas sem hesitar — e fala por experiência própria, depois de ter tido um infarto e uma ponte de safena tripla e ter se recuperado dos dois: doenças cardíacas, câncer, demência, quedas e aquela que ele chama de diabesidade, diabetes e obesidade juntas, que ele diz ser quase totalmente evitável. O que ele quer para a cidade onde passou a vida é transformar um pedacinho de Oxford numa nova Zona Azul.

Oxford Longevity Project · cofundador Educador Os três Hs O paciente responsável
Retrato de Sir Christopher Ball na casa dele em Oxford durante a entrevista do Live Beyond
Oxford · julho de 2024

Uma sala cheia de livros em Oxford

Onde nos conhecemos

Filmamos Sir Christopher na casa dele em Oxford, na sala onde ele lê — estantes até o teto, o jardim pela janela, uma poltrona para cada um. Foi no fim de uma tarde com o Oxford Longevity Project, então a conversa retoma um pensamento que já estava pela metade. Ele não quer que lhe perguntem sobre o que já fez. Diz isso diretamente: o saudável seria perguntar a ele como pretende viver os próximos vinte anos.

Oxford
julho de 2024
Na casa dele, na sala onde ele lê.
A tarde anterior
The Oxford Longevity Project
Com Leslie Kenny, Sir Muir Gray, Sasi Senga e Dr. Paul Ch’en.
O plano
Até os 111 anos
Não é um desejo. É uma meta, com uma rotina por trás, e ele vai pedir para você não rir.

“O saudável seria se você me perguntasse como eu pretendo viver os próximos 20 anos da minha vida, porque a minha meta é viver até os 111 anos. Não ria.”

— Sir Christopher Ball, Oxford
Nas palavras dele

Três fatores e três Hs

“A parte do conhecimento, a informação, é fácil. Aprender a escolher uma vida saudável é muito mais difícil.”

Sir Christopher Ball · Oxford

Provavelmente o primeiro e mais importante é uma mentalidade saudável, uma visão positiva da vida, relações de amor.

Sir Christopher Ball

Caminhe uma milha por dia, por exemplo. Faça isso ser simples para elas.

Sir Christopher Ball

Repare que o hábito vence a sabedoria.

Sir Christopher Ball

Cuidado com o seu rebanho, e escolha ter perto de você pessoas que, pelo próprio comportamento, incentivem você a viver de um jeito responsável.

Sir Christopher Ball

Eu quero amigos que assumam a responsabilidade pela própria vida, e que não precisem de compaixão por terem feito más escolhas quando sabiam o que era melhor.

Sir Christopher Ball

Nós queremos transformar Oxford numa pequena nova Zona Azul.

Sir Christopher Ball
Nas próprias palavras dele

Direto da entrevista

Da nossa conversa na casa dele em Oxford — os três que importam, os três que atrapalham e o que ele diria a alguém com a vida inteira pela frente.

Os três fatores

Primeiro a mentalidade — uma visão positiva e relações de amor. Depois o exercício regular, simples o bastante para as pessoas realmente fazerem. Depois a alimentação, e a dele é quase vegana, por conselho das netas.

“O segredo de uma longevidade saudável são essas 3 coisas.”

Oxford · julho de 2024

Os três Hs

Hábito, rebanho e prazer. Por que as pessoas que sabem exatamente o que fazer continuam sem fazer — e a única parte disso em que a informação sozinha não serve para nada.

“Repare que o hábito vence a sabedoria.”

Oxford · julho de 2024

O que ele diria a um rapaz

Comece decidindo com que idade você gostaria de morrer, depois faça um plano sensato para as décadas entre agora e lá — algo que quase ninguém faz, porque entrega a pergunta a Deus ou aos genes.

“Mas o que realmente importa é o nosso estilo de vida e a nossa mentalidade.”

Oxford · julho de 2024
Contato & redes

Conheça o trabalho de Sir Christopher

Da conversa

Sir Christopher Ball, nas palavras dele

Entrevista em vídeo

A entrevista em vídeo está chegando. As entrevistas gravadas serão publicadas depois do lançamento do filme & da série Live Beyond.

Trechos selecionados da nossa conversa com Sir Christopher Ball — na casa dele em Oxford, julho de 2024. Só as hesitações foram retiradas; nada dentro de uma citação foi reescrito.

Sobre o que é o Oxford Longevity Project

Sir Christopher Ball“É um grupo de pessoas — e todos os outros, menos eu, têm formação médica, você vai ficar feliz em saber — que se interessaram, como imagino que a maioria de nós deveria se interessar, pela ideia da longevidade humana, de viver mais do que costumávamos viver, o que está acontecendo, e de viver com mais saúde até a velhice. Longevidade saudável é o que buscamos. Estamos tentando entender os fatores que tornam isso provável, certamente possível para a maioria das pessoas, e depois explicar às pessoas o que descobrimos.”

Sobre os três fatores

Sir Christopher Ball“Eu tenho uma regra na vida: todos os assuntos complexos, como a longevidade, por exemplo, em humanos, podem, num alto nível de simplificação, ser reduzidos a 3 ideias-chave… E o segredo de uma longevidade saudável são essas 3 coisas. Provavelmente o primeiro e mais importante é uma mentalidade saudável, uma visão positiva da vida, relações de amor. Então a mente e a positividade da mente vêm primeiro para mim. O segundo fator, e lembre que eu só tenho 3 para falar, o segundo fator seria o exercício regular. A maioria das pessoas sabe disso, e muita gente não dá a menor atenção, o que acho muito interessante. Por que não, eu me pergunto? E como podemos ajudá-las? Caminhe uma milha por dia, por exemplo. Faça isso ser simples para elas… E o terceiro é a alimentação. E eu passei a achar, graças aos conselhos das minhas netas, para começar, que uma alimentação quase vegana é o terceiro fator mais importante para envelhecer com saúde.”

Sobre o que ele quer que lhe perguntem

Sir Christopher Ball“Para as pessoas idosas, e talvez principalmente para as pessoas idosas que tiveram uma boa vida — eu tive uma boa vida, então estou falando de gente como eu — a tendência é ficar remoendo o passado. Você me convidou a me apresentar e falar sobre o que eu fiz, e eu gostei de fazer exatamente isso, claro, porque tenho orgulho e estou satisfeito com isso. Mas isso não é saudável. O saudável seria se você me perguntasse como eu pretendo viver os próximos 20 anos da minha vida, porque a minha meta é viver até os 111 anos. Não ria.”

Sobre os três Hs

Sir Christopher Ball“Tudo se resume àquelas influências perniciosas na nossa vida. São 3. Todas começam com H. Eu as chamo de os 3 Hs. A primeira é o hábito. ‘Mas eu sempre fumei. É o meu hábito.’ As pessoas dizem isso, embora as evidências e os conselhos sejam absolutamente claros. Fumar é uma sentença de morte… mas repare que o hábito vence a sabedoria. Então o hábito é o primeiro H. A segunda é a palavra… que eu adoro, herd, o rebanho. Todos nós pertencemos a rebanhos, como os animais. E temos um rebanho de amigos e família, as pessoas com quem normalmente convivemos, os colegas de trabalho e assim por diante. Você tem um rebanho. Eu tenho um rebanho. E, consciente ou inconscientemente, nos adaptamos ao comportamento do rebanho. Se o rebanho vai ao pub na sexta à noite e fica confortavelmente bêbado toda semana, e é assim que nos comportamos, então é preciso mais do que só informação para quebrar esse hábito tão perigoso… Cuidado com o seu rebanho, e escolha ter perto de você pessoas que, pelo próprio comportamento, incentivem você a viver de um jeito responsável. E o terceiro H é a palavra high, o prazer imediato. Todos nós somos viciados nos pequenos, ou não tão pequenos, prazeres. O próximo pedaço de chocolate. ‘Mamãe, me dá outro sorvete.’ Desde a infância, buscamos um prazer imediato, e depois queremos mais. É uma característica do ser humano. E se você quer uma longevidade saudável, é melhor olhar bem para isso e começar a se disciplinar para não se deixar seduzir imediatamente pelo próximo prazer.”

Sobre o paciente responsável

Sir Christopher Ball“Suspeito, ouvindo você falar sobre isso, que você está pensando que os cientistas pesquisadores e os especialistas vão encontrar mais formas inteligentes, possivelmente com remédios e suplementos e coisas que nós, gente comum, não conhecemos, que vão fazer diferença. E isso vai ser parte da resposta, não tenho dúvida. Não vou dizer que está errado. Mas a minha contribuição é dizer que, na verdade, tudo começa com a responsabilidade do indivíduo. O paciente responsável é o que eu tento ser, e tento fazer a maior parte do trabalho pela minha saúde antes de chamar o meu médico para me ajudar… Isso é uma mudança bem grande para muita gente que, a vida inteira, presumiu que vai ter saúde até alguma coisa dar errado, e aí vai direto ao médico perguntar o que deve fazer. Para nós que já somos idosos, isso não faz mais sentido. Temos que dar os primeiros passos rumo a um envelhecimento saudável vivendo uma vida sensata.”

Sobre as cinco coisas de que as pessoas idosas têm medo

Sir Christopher Ball“As doenças cardíacas provavelmente vêm em primeiro lugar. E eu sei bem, porque tive um infarto e uma ponte de safena tripla, então falo por experiência própria. Mas eu me recuperei… Doenças cardíacas primeiro, depois aquelas 2 doenças que, de certa forma, são bem parecidas, o câncer e a demência, porque as duas são, na verdade, uma jornada… Depois, as quedas. É preciso ter um cuidado extra na velhice… É preciso pensar no seu equilíbrio, e você precisa de exercícios de equilíbrio para se manter em forma. Porque se você cai e quebra o quadril, isso, para muita gente na velhice, é uma sentença de morte. E a quinta, e provavelmente a mais triste, é a doença que eu chamo de diabesidade. Diabetes mais obesidade, essa combinação terrível, que infelizmente vemos por toda parte. E, num nível bem simples, é totalmente evitável.”

Sobre dizer a verdade aos amigos

Sir Christopher Ball“Essa é a mensagem incômoda para muita gente receber. E eu tenho amigos que me dizem: ‘Chris, você não está sendo muito gentil com a gente ao dizer isso com tanta franqueza e clareza, que na verdade nós somos responsáveis. Foi a nossa escolha que levou a esses desastres. Queremos um mundo onde as pessoas vão ser compreensivas e dizer: coitado de você.’ E eu digo: bom, eu quero amigos que assumam a responsabilidade pela própria vida, e que não precisem de compaixão por terem feito más escolhas quando sabiam o que era melhor.”

Sobre ensinar pelo exemplo

Sir Christopher Ball“Acho que ensinar pelo exemplo é uma das melhores, provavelmente a melhor forma de ensinar às pessoas o que elas precisam saber. Se o seu médico bebe e fuma e diz para você não fazer isso, você não vai ficar muito impressionado com o conselho… E acho também que precisamos ajudar as pessoas a fazer novas escolhas fazendo com que elas entendam por que a escolha é difícil para elas. E eu volto aos meus 3 Hs e faço com que olhem para o seu rebanho, os seus hábitos e aquela má tendência humana de buscar o prazer imediato, o high, na vida, e comecem a se educar para resistir ao efeito desses 3 Hs.”

Sobre a resiliência, e uma palavra melhor para ela

Sir Christopher Ball“Eu adoro a palavra resiliência. Significa se levantar depois de cair. Gosto ainda mais da versão americana de resiliência, que é a prosiliência.”

Sobre o placebo, e o seu oposto

Sir Christopher Ball“É uma característica fascinante da vida humana que certas coisas possam fazer uma diferença benéfica para nós sem nenhuma razão médica para isso… E acreditar que algo está fazendo bem a você faz bem a você. Isso é o efeito placebo… A maioria das pessoas conhece a palavra placebo. Não conhecem o seu contrário, que é o nocebo — uma atitude que faz mal a quem a adota. E me interessa a tendência da classe médica de, de vez em quando, nos dar diagnósticos, depois de ter feito o seu trabalho inteligente e descoberto o que há de errado com a gente, que na verdade são nocebos. São más notícias que, na prática, nos fazem mais mal do que bem. Eu sempre defendo que um diagnóstico sem tratamento não é uma gentileza com o paciente.”

O que ele nos desejou, e o que ele quer para Oxford

Marek Piotrowski“No fim de uma entrevista com os nossos convidados, costumamos fazer uma pergunta: o que você nos desejaria, a mim e ao meu filho, para o resto da nossa busca pela longevidade ao redor do mundo?”

Sir Christopher Ball“Bom, eu desejo a vocês muita sorte, porque vocês estão entre os santos deste mundo moderno, me parece, por assumirem essa tarefa. Graças a Deus pelo trabalho de vocês e pela diferença que, sem dúvida, vocês estão fazendo, ainda que nem sempre saibam com precisão o bem que fizeram. Mas é o bem que vocês estão fazendo. Então desejo a vocês vida longa e muito mais trabalho.”

Sir Christopher Ball“Nós queremos transformar Oxford numa pequena nova Zona Azul. E as Zonas Azuis são aquelas partes do mundo onde existe uma cultura de vida simples, alimentação moderada, de plantar as próprias verduras, de valores familiares, e o mundo à moda antiga, onde, surpreendentemente, as pessoas vivem mais e com mais saúde do que em qualquer outro lugar do mundo. Eu quero que este pedacinho de Oxford seja um desses lugares.”

Mais trechos da entrevista completa serão publicados aqui.

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Sir Christopher está em Fundamentos da longevidade e na ponte da Prevenção — os níveis onde, na leitura dele, tudo realmente se decide. Ele foi filmado na mesma tarde que Sir Muir Gray.

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